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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Conto : A Mulher do Vélorio






Esse é um conto bastante contado em faculdades por causa dos cemitérios, símbolos das histórias de terror. Reza a lenda que uma garota que era uma estudante de Psicologia , estava no final de seu curso e ficou responsável por pesquisar o comportamento das pessoas nos velórios e enterros . Primeiro , ela estudou teorias sobre este comportamento . Mas depois a estudante resolveu partir para a prática , visitando , discretamente , velórios e enterros de estranhos . O primeiro velório foi de um senhor de idade , que tinha sido um professor famoso . Esta cerimônia foi cheia de pompas e discursos . Porém , uma pessoa em especial , chamou a atenção da estudante : era uma idosa de cabelos brancos , vestida de preto , com uma mantilha negra e antiga na cabeça . A primeira vez que a estudante olhou para esta mulher , teve a impressão de que esta velhinha não tinha pernas e estava flutuando . Porém , depois a estudante olhou , novamente , para esta esquisita figura , viu as suas pernas normais e concluiu que aquilo poderia ter sido uma ilusão de ótica . O segundo velório , visitado pela estudante , foi de uma criança de classe baixa , num bairro muito popular . Esta estudante estava observando o comportamento das pessoas , quando viu , novamente , a estranha senhora do primeiro velório . Então , a acadêmica resolveu olhar para a mulher com mais cuidado . Porém , a velhinha olhou em sua direção e a estudante teve a impressão de ter visto duas estrelas no lugar dos globos oculares desta mulher . Então , a moça pensou que isto poderia ter sido uma bobagem de sua cabeça . O terceiro velório , que graduanda visitou , foi o velório de um empresário milionário , amigo de sua família . Por ser um velório de gente importante , só entrava quem fosse conhecido . A estudante entrou , mas dentro do local , ela teve uma surpresa : a idosa esquisita estava lá também . Assim a estudante também resolveu ir ao enterro deste homem rico e aquela estranha senhora foi junto . Após o enterro , a estudante decidiu seguir aquela idosa esquisita , que ficou algum tempo andando pelo cemitério , até que parou num túmulo marrom . Então , a estudante notou que a mulher da foto do túmulo era aquela mesma velhinha estranha , e , sem querer , soltou uma exclamação : – Ave ! Assim , a idosa olhou para trás e disse : - Ave , minha filha ! Desta maneira , a estudante falou : - Como é possível ? ! A foto da mulher enterrada neste túmulo é a cara da senhora ! Deste jeito , a velha explicou : - Bem , isto faz sentido , porque esta mulher que está aí enterrada , neste túmulo marrom , sou eu … Então , a estudante disse : – Isto não é possível … Só pode ser uma brincadeira , ou , uma alucinação minha … E por que a senhora visita tantos velórios e enterros ?! Qual é a explicação de tudo isto ?Assim , calmamente , a velhinha falou :

- Eu nasci há algum tempo atrás … A minha vida foi indolente e sem graça… Fui filha única , não me casei , não tive filhos e não trabalhei … Eu apenas ficava vegetando em casa … Sem fazer nada por preguiça … Quando meus pais morreram , eu vivi tranquilamente , com a pensão que eles deixaram para mim . Mas , quando eu morri , a primeira coisa que eu vi , foi o filme da minha vida inteira : um tremendo vazio … Em primeiro lugar , um anjo tentou me levar para o céu , mas eles não me aceitaram lá , porque eu não tinha feito nada de útil para a humanidade … Depois , o mesmo anjo tentou me levar para o inferno , mas o diabo não me aceitou porque eu não era má suficiente … Após isto , o anjo me levou para o purgatório , mas o guardião de lá , não me aceitou , alegando que eu não tinha feito nenhum pecado para purgar . Então , apareceu o chefe deste anjo , que falou que o melhor a fazer era dar uma missão útil para mim , como colaboradora da morte .

Assim , a estudante indagou : - E o que uma colaboradora da morte , faz ?

Desta maneira , a velha respondeu :

- Uma colaboradora da morte tem uma missão parecida com a deste anjo : quando alguém morre , ela coloca o filme da vida , desta pessoa falecida , para ela ver e guia a sua alma até muitos lugares como : o céu , o purgatório e o inferno .

Após escutar tudo isto , a estudante desmaiou . No hospital ela contou a história para os enfermeiros, disse que estava vendo o filme da sua vida diante dos seus olhos e em seguida, faleceu

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Conto : Criaturas das Sombras



Na minha infância eu acreditava em monstros. Achava que mãos iam brotar de baixo da cama. As sombras se mexiam. Eu ouvia passos nos corredores. O cair da noite me aterrorizava. Meus pais, tolos, diziam que não havia nada. Eram besteiras da minha imaginação. Monstros não existem, eles diziam e esse era meu mantra inútil, pra aplacar o pânico.
Não sei se todas as crianças tiveram uma infância assim, assustadora. Quando crescemos os barulhos somem, as sombras viram apenas sombras e ninguém espreita na escuridão. É isso o que acontece com todos, ou deveria ser. Eu quero muito saber porque não foi assim comigo.
Meus pais, tão zelosos e compreensíveis me colocaram nesse lugar. Uma casa de repouso, ou manicômio, se preferir. Dizem que tenho esquizofrenia, que sou perigoso e vejo coisas que não existem.
Eles são os loucos. E uns malditos sortudos. Aqui as sombras são mais densas, e os gemidos dos mortos se misturam com o dos vivos. Os daqui médicos são ainda mais tenebrosos. Espetam e cortam a vontade. Abusam de algumas loucas e pensam que ninguém está vendo.
Um deles, o mais magro era o pior. Matou algumas pessoas aqui como se fossem animais no abate. Abusou de tantas mulheres que perdi a conta. Me cortou muito.
Eu disse que ele “era” o pior porque agora ele está morto. Ele errou em achar que eu estava dopado e em deixar um bisturi perto do meu alcance. A mesma faca que me fez sangrar incontáveis vezes abriu um buraco no pescoço dele e assim dei fim pra existência miserável desse verme. Seu sangue ofereci pras criaturas da sombra que observaram tudo sem interferir. Depois disso incendiei o manicômio. Do pó ao pó. Pena eu não ter conseguido fugir.
O curioso disso tudo é que eu posso tanto ser uma criança tendo um pesadelo longo e sombrio, quanto posso ser um louco metido em uma camisa de força em algum manicômio, ou posso ter mesmo morrido e agora sou um deles, vivendo nas sombras.
Ao menos posso observar meus pais dormindo tranquilos. Pena meu irmão menor estar entre eles, acordado, olhando nos meus olhos e chorando.


by:bb